Dados Técnicos
Local: Parque Natural da Arrábida
Local de Partida: Cabo Espichel (Nª Sra. do Cabo)
Concentração e Chamada: 9H00
Partida: 9H30
Tipo de Percurso: Técnico / Rolante
Acumulado das Subidas: 680m
Níveis de Andamento: Nível 1 e Nível 2
Distâncias 1 e 2: 28km e 30km
Altitude Máxima: 225m
Dificuldade:
Duração: 4H00
 
     

COMO CHEGAR
Partindo de Lisboa - Depois de apanharmos a Auto-Estrada para Setúbal cortamos à direita em direcção a Sesimbra. Passando por Cotovia chegamos a Santana e aqui, nos semáforos, cortamos à direita em direcção ao Cabo Espichel. Seguir sempre em frente. O local da partida é junto do Santuário da Nossa Senhora do Cabo.
Distância de Lisboa: cerca de 55km.
Tempo de viagem aproximado: 50 minutos.
(atenção aos excessos de velocidade, ao chegar a Cotovia)

INTRODUÇÃO
O nosso percurso começa no Cabo Espichel, junto do santuário dedicado à Nossa Senhora do Cabo.
Vai ser um passeio numa região lindíssima, carregado de História (sécs. XV a XVIII), junto ao mar, com todos os ingredientes que fazem as delícias de qualquer betetista: paisagens de cortar a respiração, trilhos serpenteantes e técnicos, zonas planas para recuperar do esforço e da emoção... enfim, um pouco de tudo, num cocktail betetístico de eleição!
Mas nem só de adrenalina são feitos os Passeios da BTTour. Muito importante são também os elementos de cariz cultural. E o caso presente não foge à regra. Por isso, comecemos por saber mais acerca do magnífico conjunto arquitectónico onde se inicia o nosso passeio.

INFORMAÇÃO
O Santuário
Antigamente, por altura dos círios (procissões que partiam de uma localidade para levar um círio - vela grande de cera - para outra localidade), aqui se juntavam os habitantes de diversas freguesias vindos de Lisboa, Sintra, Almada, Setúbal, Palmela e Sesimbra para prestar homenagem a Nossa Senhora do Cabo.
Este santuário é constituído pela Igreja de Santa Maria da Mua, datada de 1701, e pelos edifícios que a ladeiam, os quais serviam de albergue para os peregrinos, ...hoje muito abandonados e arruinados (o contrário é que seria de espantar ...ai pobre património!!).
A igreja merece uma visita, quer pelos diversos altares dedicados aos santos venerados, quer pela própria pintura do tecto e paredes já restauradas, quer ainda pelas pinturas existentes na sacristia (duas delas do séc. XVI). A fachada é representativa do primeiro barroco, apresentando um portal encimado por uma vieira em pedra, dos princípios do séc. XVIII.
À entrada do terreiro, não deixe de reparar no cruzeiro que demarca o seu limite, e na casa da água e respectivo aqueduto que, infelizmente, e para não fugir à regra, já vai em adiantado estado de degradação.
Na parte de trás do santuário repare, ainda, numa primitiva Capelinha, de pequenas proporções e de cor branca, e que está na origem da lenda da Nossa Senhora do Cabo, do século XV ou XVI. No seu interior existem ainda azulejos do séc. XVIII.

As Pegadas dos Dinossauros
Após umas descidas trialeiras, que fazem bem o gosto do pessoal, chegamos à "Jazida de Pegadas de Dinossáurios dos Lagosteiros", inserido no Parque Natural da Arrábida, considerado Monumento Natural (monumentos não são só os edifícios... eh, eh!!).
Pois aqui, meus caros amigos, há 130 milhões de anos, no período Cretácico Inferior, o ambiente era "marinho litoral", protegido por recifes de coral, lugar de praias alagadiças, onde os Dinossauros passeavam majestosamente as suas toneladas de massa muscular, deixando graciosamente marcas no solo!! Estas pegadas, na altura, foram imediatamente cobertas por novos sedimentos, ficando assim bastante protegidas. O referido baixo-relevo endureceu e, no decurso de muitos milhões de anos, transformou-se na rocha onde estão fossilizadas as pegadas. Inicialmente horizontais, estas plataformas de calcário foram levantadas e inclinadas por acção de forças oriundas do interior da Terra, resultando no declive que elas hoje se nos apresentam. Estas pegadas foram postas a descoberto, em muito devido à erosão provocada pelas águas da chuva e do mar, que constantemente desgastam a superfície da Terra.
Aqui poderemos ver as pegadas de dois tipos de dinossauros diferentes, mas as mais perceptíveis pressupõe-se serem de um dinossauro bípede herbívoro, semelhante ao Iguanodon.
Serão estas pegadas as que estão na base da crença de que a Nossa Senhora do Cabo subiu a falésia montada num burro? E, a julgar pelo tamanho das pegadas, que grande que seria o animal!...

O Lado Norte e o Lado Sul do Cabo
Continuamos na vertente norte do Cabo, por trilhos e locais de beleza invulgar, até chegarmos à praia da Foz, uma pequenina e bonita praia protegida por uma imponente falésia. Contudo, para irmos mesmo até lá abaixo espera-nos uma curta descida, muito técnica, com areia e algo atemorizante.
Daqui até à zona que dá pelo nome de Fornos teremos uma sucessão de trilhos de bom piso, intervalados aqui e ali por algumas zonas mais técnicas, sem esquecer uma subida curta mas íngreme com um buracão enorme a meio que, se não tivermos cuidado, cairemos mesmo lá dentro, ...com bicicleta e tudo, ...tal é o seu tamanho!! Tudo numa zona muito bonita e ainda pouco invadida por casario - ...até quando?
Subimos agora até apanharmos a estrada principal do Cabo Espichel, em Pinheirinhos, para nos transportarmos para a sua vertente Sul. Depois de um trilho irregular, técnico e mal tratado, eis que chegamos ao início de uma descida, também ela bastante irregular e técnica, para depois vaguearmos por mais um trilho super estreito, em que só cabe uma bicicleta de cada vez. É um trilho escondido, muito tortuoso, técnico, mas deveras muito bonito. Não se esqueça de dar espaço ao seu betetista da frente. Este trilho vai-nos levar a percorrer toda a zona sul do Cabo, com o mar sempre do nosso lado esquerdo como pano de fundo. Se neste passeio já andámos por locais bem bonitos, este também não lhes fica nada atrás!! Cuidado com as pedras pontiagudas. Leve os seus pneus com pressão de ar suficiente, senão...!! :o(.
Aguarda-nos agora um trilho rápido (...só quando desce, eh, eh!!) e por vezes lento (...quando sobe, é claro!) ou lentíssimo (...quando sobe mesmo muito - ih, ih!!), culminando numa subida para "rebentar"! ...Mas é o último esforço, pois de seguida tudo será mais fácil, num trilho loonngo e relaxante, rápido quanto baste, bonito e entusiasmante que nos enche as medidas, e que nos vai levar de regresso ao Cabo. Não sem antes termos passado pelas ruínas de uma casa, com uma vista absolutamente deslumbrante e arrebatadora. Quem a construiu sabia escolher!

José Neves
BTTour

         
Data do Passeio: Data sob confirmação
       
         
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