COMO CHEGAR
Dirigimo-nos em direcção a Sintra pela via rápida IC-19 e, chegados ao fim desta, viramos para a direita e apanhamos o IC-30 para a Ericeira. Chegados ao fim desta pequena via rápida, entra-se em estrada mais estreita, passa as Bombas da BP que estão à sua direita e, na rotunda, corta-se na 2ª à direita em direcção a Ericeira/S. João das Lampas. Depois de passarmos pelas Bombas da Galp (à direita), entramos um pequeno povoado (Terrugem) e aqui, numa curva grande e larga, encontramos uma placa à esquerda a dizer S. João das Lampas. O nosso local de encontro é logo à entrada desta vila, junto à Fábrica Galucho.
Distância aproximada: 35km
Tempo de viagem: Cerca de 30min.
Geoposição: N 38º 52.298 W 9º 23.952
INTRODUÇÃO
Neste Passeio organizado pela BTTour vamos passar por catorze Fontes, Fontanários, Chafarizes ou Bicas, apesar de não as vermos todas. Algumas delas já secas e até abandonadas, outras com água pura e cristalina e muito bem conservadas pelo Parque Natural de Sintra-Cascais e pela população local, como que um eterno agradecimento desta dádiva da Natureza, que é este precioso líquido. Daí o nome de "Rota das Fontes". Já agora, sabem o que é uma Fonte?! E sabem o que é um Fontanário? E um Chafariz? E uma Bica? Então aqui vai:
- Bica: Cano ou meia-cana por onde corre água.
- Chafariz: Fontanário provido de uma ou várias bicas por onde corre água potável para utilidade pública. Bebedouro público.
- Fontanário: Fonte artificial para abastecimento público de água.
- Fonte: Nascente de água. Chafariz ou Bica por onde corre água.
E esta, hem?! Perceberam as diferenças? Ou ficaram ainda mais baralhados? :o))
INFORMAÇÃO
Vestígios dos Nossos Antepassados
Começando então o nosso percurso vamos passar pelo conhecido e gracioso Chafariz de S. João das Lampas, que fica no centro desta vila, mesmo junto do nosso Local da Partida. Começamos a rolar por asfalto até passarmos por quatro moinhos de vento, todos eles em bom estado, onde, num deles, iremos fazer uma pequena pausa para reagrupar.
Os moinhos de vento, de origem oriental e agora praticamente abandonados, cumpriram outrora um papel importantíssimo na economia rural de que esta região saloia era exemplo. Em complementaridade com as azenhas, que trabalham com a força da corrente do caudal de um rio ou ribeiro, estes engenhos moíam qualquer tipo de cereal, importantíssimo para a nossa alimentação, como é exemplo o fabrico do famoso pão saloio, tão típico desta região. Este moinho, propriamente dito, pertence ao Sr. José Vitor Hugo de Castro Alcaínça e já é propriedade da sua família há cinco gerações. Foi recuperado pelo Parque Natural de Sintra-Cascais em 1988, e pode ser visitado por todos aqueles que se interessem pelas tecnologias de outrora, devendo o contacto ser feito através do telefone 21 9235116. Depois de termos contemplado este belo Moinho de Vento completamente recuperado, e de nos termos encantado com a chamada "música do moinho", produzida pelas cabaças instaladas nas velas, vamos então começar verdadeiramente o nosso passeio, agora em caminho de terra, numa descida pouco pronunciada.
Estamos no alto da Cabreira e fazemos de novo uma pausa para reagrupar, admirar as vistas, e alimentar a curiosidade para uma pequena Ponte Romana. Este é também o momento oportuno para sensibilizar todos os campeões betetistas (que somos todos nós (???)) para o cuidado a ter na descida que nos leva a esta ponte, descida esta que é o que resta de uma antiquíssima Calçada Romana, construída há mais de 2000 anos, atravessando assim a Ribeira de Bolelas.
As Quadras Populares
Depois da ribeira passamos pela Azenha do Gaio, abandonada, e chegamos à 3ª Fonte, a de Catribana, que data de Dezembro de 1927. Aqui podemos ler uma curiosa quadra popular, que retrata fielmente a vivência quotidiana deste povo aldeão em épocas passadas:
"Tanta água aqui passou
Muitos segredos escutaste
Tanta roupa se lavou
Só a má língua não lavaste."
Prosseguimos agora o nosso caminho em direcção a Assafora. Passamos pela Fonte dos Mouros, de 1962, e seguidamente pela Fonte da Cortesia (ou também chamada Fonte do Alheiro) que, tendo sido recuperada em 1976, é das fontes mais antigas por que estamos a passar, pois, sendo de 1866, já lá vão mais quase 140 anos de existência. E, ao admirarmos esta bela fonte poderemos ler estas quadras populares:
"A Fonte do Alheiro
Situada em Cortesia
Onde no seu Lavadouro
Se lava com alegria."
"Nasce pura e sempre fria
Esta água da nascente
Na fonte da Cortesia
Ela mata a sede à gente."
As Arribas e o Final
Percorremos as belas dunas sedimentadas pela erosão do tempo e deparamo-nos rapidamente com uma descida muito íngreme, com apenas uns 30 metros e que é muito escorregadia mas que, ao fazê-la, é adrenalina pura que brota dos nossos poros!!!
Deixamos agora o litoral e flectimos um pouco mais para o interior. Depois de pedalarmos ao lado da ribeira do Falcão iremos fazer uma subidinha íngreme e, logo de seguida, uma descidinha íngreme também, curta ...e super íngreme ...e super escorregadia, ...e cheia de regos, ...e ...e vão ver que não custa nada (...mais adrenalina?!... É que daqui a bocado ela esgota-se!!...). Vamos agora ao longo do Ribeiro do Esporão para irmos ter com a nossa 7ª Fonte, a Fonte do Arneiro, de 1929. Aqui paramos um pouco para descansar e reabastecermo-nos do precioso líquido.
Seguimos em direcção a Peroleite e vamos encontrar uma outra fonte, ...que está seca!!. Curiosamente esta fonte chama-se mesmo Fonte Seca (!!) e foi baptizada em 28 de Fevereiro de 1926.
Continuando o nosso percurso, passaremos por mais três azenhas, uma delas sobejamente conhecida, a Azenha de Laje. Subimos agora lentameeennnte até Areias, outro pequeno povoado. Aí encontramos a nossa 10ª Fonte, a Fonte das Areias, de 1949, e fazemos outra pausa para refrescar e reagrupar. Rapidamente chegamos a Amoreira, onde encontraremos mais duas Fontes, uma ainda recente, de 1972, e a outra a mais antiga do nosso passeio, datada de 1817, quase com dois séculos.
E estamos a chegar ao fim. Já próximos de S. João das Lampas e antes de chegarmos aos nossos carros passaremos pela última fonte deste passeio, a 14ª fonte. É a Fonte do Mosqueiro, datada de 1905 e, tal como sugere a quadra popular nela inscrita, é também a última oportunidade de refrescarmos as nossas gargantas.
"Sempre a correr
Abranda companheiro
Goza o teu lazer
Na fonte do Mosqueiro."
José Neves
BTTour