Dados Técnicos
Local: Parque Natural da Serra de São
Mamede
Local de Partida: Sto. António das Areias (Praça de Touros)
Concentração e Chamada: 10H30
Partida: 11H00
Tipo de Percurso: Técnico
Acumulado das Subidas: 883m
Níveis de Andamento: Nível 1 e Nível 2
Distância 1 e 2: 30km / 35km
Altitude Máxima: 860m
Dificuldade:
Duração: 5H30
 
     

COMO CHEGAR
De Lisboa: Lisboa, Auto-Estrada do Norte A1. Depois das bombas da BP de Santarém cortar para a nova A-23 para Abrantes. Seguir sempre pela A-23 até o IP2 Portalegre / Nisa. Sair na tabuleta Portalegre / Alpalhão. Na rotunda de Alpalhão cortar na tabuleta para Nisa / Castelo de Vide. Andar 400m e cortar à direita na tabuleta para Castelo de Vide / Marvão. 200 metros depois cortar à esquerda na tabuleta para Castelo de Vide / Marvão. Depois de passar por Castelo de Vide continue a seguir sempre as tabuletas para Marvão. A meio da subida para Marvão corte à esquerda na tabuleta para Sto. António das Areias.
O encontro é junto à Praça de Touros desta vila.
Distância (de Lisboa): cerca de 245km.
Tempo de Viagem: cerca de 2H45 (sem paragens!).
Geoposição: N 39º 24.792 / W 7º 20.797

TESTEMUNHOS
+++ Gostaria de vos dizer que gostei muito deste passeio. É muito duro e exigente em termos técnicos e físicos, mas creio ser imperdível para os verdadeiros amantes do BTT. A paisagem é arrebatadora, o trilhos duríssimos e o prazer da conquista é inolvidável! É uma quimera entre todos os passeio que vocês realizam. = Pedro Bento - Azeitão =

INTRODUÇÃO
Esta é uma das zonas mais ricas do país em monumentos megalíticos e necrópoles onde iremos, ao longo do nosso percurso, encontrar vestígios da Era Paleolítica e, principalmente, da Era Neolítica. Todo o nosso passeio desenrola-se por terrenos graníticos, oferecendo-nos imensos trilhos e caminhos à base de calçadas, dentro de um dos maiores patrimónios ambientais do nosso país. A vegetação é à base de sobreiros, castanheiros, algum pinheiro bravo e também de oliveiras. Como arbustos encontraremos o tojo gadanho, a giesta branca, a esteva, a urze e a carqueja. O solo é muito pobre, resumindo-se à cultura de pequenas hortas e algumas árvores de fruto. Se tivermos sorte, ainda poderemos avistar algumas águias, abutres, cegonhas, peneireiros, pintarroxos, tentilhões ou mesmo, junto dos nossos pés, alguma viborazinha (!!), também comum nesta região. Mas para chegarmos a Marvão, teremos que subir até lá. Este é, sem dúvida, o maior desafio! É uma subida assustadora, arrebatadora, dura, irreverente, ...mas também uma subida louca, majestosa, eloquente e divinal, que se desenrola ao longo de uma extensa calçada medieval. Se tiver possibilidade, opte por levar uma bicicleta de suspensão total, O seu esqueleto agradece!

INFORMAÇÃO
O Caminho até Marvão
Este belo passeio inicia-se na pequena aldeia de Sto. António das Areias, a uma altitude de 507 metros, que dista apenas 3km de Marvão, em linha de vista. Estamos na "planície", e a grande maioria do percurso desenrola-se aqui, no sopé da serra de Sta. Maria de Marvão, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede. A vila de Marvão é tão alta (868m) que se tornou o único local do país onde se consegue ver as águias pelas costas, sobrevoando a planície. Afinal de contas, Marvão é mesmo "Uma Ilha no Tecto do Mundo".

Dando início ao passeio iremos entrar por um trilho bastante técnico e irregular, uma pequena amostra de como irão ser muitos dos caminhos que iremos encontrar. Seguiremos agora em direcção a Barretos, atravessamos um riacho, e chegamos a Cabeçudos, nosso primeiro ponto de descanso, onde poderemos reabastecer de uma água límpida que jorra da fonte.

Pedalando rumo a Marvão, segue-se agora uma outra calçada, esta também bastante técnica, mas muito bonita. Chegados agora a Fonte Souto, iremos deparar com duas bem visíveis e conservadas sepulturas escavadas na rocha, oriundas da Era Neolítica. Ao lado, permanece de pé uma antiquíssima capelinha.

Preparemo-nos agora para subir até ao castelo de Marvão, desta feita por uma calçada medieval. Pedale sempre com o mesmo ritmo, cadenciado, controle a respiração, e deixe a mudança mais leve sempre para o fim. O piso é um pouco irregular, mas a subida é linda, e maravilhosa.

Uma Pérola no Alentejo
Chegámos a Marvão (ufff!)!! Estamos no quilómetro 20, e demorámos mais de duas horas para cá chegar. Aqui iremos almoçar e recuperar as nossas forças.

Marvão é uma das mais bem conservadas vilas fortificadas portuguesas. Tomada e fortificada pelos Árabes, Marvão seria conquistada por D. Afonso Henriques. Posteriormente D. Dinis mandou reforçar as fortificações. Dominando o acesso à fronteira a ponto de permitir detectar movimentações do inimigo, a situação geográfica desta vila tornou-se de uma capital importância estratégica. Foi tomada pelos espanhóis e retomada pelos portugueses, por guerras sucessivas, ao longo de dois séculos (XVII e XVIII). Foi também ponto fortificado durante as Invasões Francesas. Também não foi poupada durante a Guerra Peninsular, entre portugueses e espanhóis, e durante a guerra civil entre liberais e miguelistas, tomando o partido dos primeiros.

Aqui, em Marvão, podemos visitar o castelo e, dentro deste, uma construção curiosa: uma impressionante cisterna, abobadada por arcos de pedra, onde, ao falarmos, as vozes se alternam para tonalidades irreais. A capacidade deste enorme depósito de água chega para abastecer a vila durante seis meses, característica valiosa em tempos de guerra. Existe ainda o largo do Pelourinho, próximo do antigo edifício da cadeia, local onde antigamente se castigavam e enforcavam os presos. Podemos ainda observar o Convento de Nossa Senhora da Estrela, mosteiro franciscano do séc. XV e que hoje funciona como um asilo da Misericórdia.

Com as suas casinhas pequenas e de arcos góticos, ladeadas de ruelas estreitas e tortuosas, a visita a Marvão torna-se uma viagem pelo tempo, de tal modo que se guardam aí o espaço e o espírito de uma vila fortificada e tão cobiçada, destinada à resistência de todas as invasões.

A Descida e o Regresso
Marvão é mesmo "Uma Ilha no Tecto do Mundo"! Lá diz o poeta José da Silva Máximo:

"Quem veio ao Mundo e não viu
Onde Marvão se ergueu
Se ao castelo não subiu
Nem sabe quanto perdeu!..."


Chegou a altura de prosseguir. Desceremos agora uma infindável calçada, com quase dois quilómetros de comprimento. Toda esta calçada é lindíssima e colossal, mas tome muito cuidado, não se espete contra o muro!! Mas a descida ainda não acabou. Subiremos um pouco até Abegoa para, de seguida, continuarmos a descida por um pequeno trilho pedestre muito bonito, e super-técnico, que fará as delícias dos mais audazes! Passaremos agora por Ramila e desceremos até Relva, por outros trilhos e caminhos técnicos, à base de calçadas, ...mas muuiiito deliciosos!!

Chegámos a uma das zonas mais bonitas deste passeio (...são todas, aliás!), um dos vales do rio Sever, isto depois de termos feito outros caminhos maravilhosos e uma descidinha por um trilho "super radical"!. Este é um vale densamente arborizado, que facilmente nos apela ao sossego e à meditação. Tudo isto é um sonho, ...um espectáculo quase irreal, onde qualquer betetista que se preze ansiará sempre por desfrutar!! Toda esta região lindíssima, com toda a sua estrutura morfológica imponente e magnífica, só poderá ser realmente descoberta a pé, ou de BTT. Quem diz conhecer esta região, de carro, verdadeiramente não a conhece! ...Nem uma décima parte!!!

Caros amigos, mais palavras para quê!?... ...Um abraço a todos!...

José Neves
BTTour

         
Data do Passeio: Data sob confirmação
       
         
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