Dados Técnicos
Local: Parque Natural da Serra de São
Mamede
Local de Partida: Castelo de Vide (junto aos Bombeiros)
Concentração e Chamada: 10H30
Partida: 11H00
Tipo de Percurso: Técnico / Montanhoso
Acumulado das Subidas: 1282m
Níveis de Andamento: Nível 2
Distância: 37km
Altitude Máxima: 860m
Dificuldade:
Duração: 5H30
 
     

COMO CHEGAR
De Lisboa: Lisboa, Auto-Estrada do Norte A1. Depois das bombas da BP de Santarém cortar para a nova A-23 para Abrantes. Seguir sempre pela A-23 até o IP2 Portalegre / Nisa. Sair na tabuleta Portalegre / Alpalhão. Na rotunda de Alpalhão cortar na tabuleta para Nisa / Castelo de Vide. Andar 400m e cortar à direita na tabuleta para Castelo de Vide / Marvão. 200 metros depois cortar à esquerda na tabuleta para Castelo de Vide / Marvão.
O local da partida é no pequeno Parque de Estacionamento que fica em frente aos Bombeiros de Castelo de Vide.
Distância (de Lisboa): cerca de 225km.
Tempo de Viagem: cerca de 2H15 (sem paragens!).

TESTEMUNHOS
+++ "...esta subida foi dura, mas foi uma subida maravilhosa!"
+++ "...o que eu gostei mais foi da subida para Marvão pela calçada medieval..."
+++ "...já fiz várias vezes este passeio com a BTTour, e nunca me canso dele. Hei-de cá voltar sempre!"
+++ "...estas calçadas e estas descidas sinuosas são o melhor deste passeio, com toda a envolvente paisagística..."
+++ "...este é mesmo um passeio obrigatório..."
+++ "...Estou pronto para fazer novamente todo este passeio, nem que seja agora mesmo, outra vez! ...Sinto-me mesmo bem...!"

INTRODUÇÃO
Em plena Serra de São Mamede, a uma altitude de 460m, começa o nosso passeio. Estamos em Castelo de Vide. Esta é uma das zonas mais ricas do país em monumentos megalíticos e necrópoles onde iremos, ao longo do nosso percurso, encontrar vestígios da Era Paleolítica e, principalmente, da Era Neolítica. Todo o nosso passeio desenrola-se através de terrenos graníticos; não de um granito como muitos que existem em Portugal, de idade situada entre os 200 e os 350 milhões de anos (algo recentes, ...mas que são já muitos anos!), mas outro, ainda mais antigo, que ronda os 500 milhões de anos. A vegetação é à base de sobreiros, castanheiros, algum pinheiro bravo e também de oliveiras. Como arbustos encontraremos o tojo gadanho, a giesta branca, a esteva, a urze e a carqueja. O solo é muito pobre, resumindo-se à cultura de pequenas hortas e algumas árvores de fruto. Se tivermos sorte, ainda poderemos avistar algumas águias, abutres, cegonhas, peneireiros, pintarroxos, tentilhões ou mesmo, junto dos nossos pés, alguma viborazinha (!!), também comum nesta região. Este passeio é já um Clássico da BTTour. Vamos, então, percorrer trilhos e calçadas dentro de um dos maiores patrimónios ambientais do nosso país.

INFORMAÇÃO
A Vila de Castelo de Vide
Partindo da Praça D. Pedro V desta vila, que também é sede de concelho desde o remoto ano de 1276, séc. XIII, vamos começar por subir uma ruazinha empedrada que nos vai levar até ao castelo. Reparem nos pórticos e nas janelinhas das casinhas que vão passando ao nosso lado, típicas dos sécs. XIV, XV e XVI. Chegámos ao castelo, onde teremos oportunidade de subir à Torre de Menagem e de bebermos de toda a vista imensa que se estende até ao horizonte. Daqui poderemos contemplar todo o casario da vila, a ermida da Sra. da Penha, que iremos visitar e, lá bem ao fundo, a vila de Marvão, que ansiosamente espera por nós, e que se encontra a uma altitude de 862 metros!!!... Saindo agora do castelo vamos entrar na muralha onde se encontra o principal casario medieval, local onde se firmou o contrato de casamento do rei D. Dinis. Aqui o ambiente é de pura Idade Média.

Saindo desta muralha vamos até ao Bairro dos Judeus. Pois é, a partir de 1492 uma importante colónia de judeus e de cristãos-novos fugidos do centro da Europa e escorraçados de Espanha, depois de perseguidos pelos Reis Católicos, vieram instalar-se aqui, e aqui deixaram os seus vestígios. Comerciantes hábeis, rapidamente contribuíram para o progresso da vila nos séculos XV e XVI. Mas foi também no campo da Botânica e da Medicina que eles se notabilizaram, como é o caso de Garcia da Orta e do Mestre Jorge o Físico. Agora só restam os testemunhos visíveis, na antiga Judiaria, tais como as portas ogivais das casas e oficinas, das velhas calçadas e do edifício da Sinagoga Medieval (que iremos visitar), e que se estendem até chegarmos ao Largo da Fonte, onde se julga ter existido uma zona termal, dada a qualidade das águas. E com tudo isto a vila de Castelo de Vide fica com uma soma de trinta e três igrejas e capelas, e com a maior colecção de portais góticos do país. Com o seu microclima, o burgo amuralhado e o casario "judeu", esta vila foi já considerada como sendo a "Sintra do Alentejo".

As Ruínas Romanas de Ammaia
Depois de descermos cerca de dois quilómetros de calçada medieval e termos subido um outro trilho super inclinado, também em calçada, que nos leva até Carreiras, resta-nos descer agora até S. Salvador da Aramenha. Aqui foram recentemente encontrados testemunhos de uma civilização romana.

Ammaia é o nome de uma cidade romana que existiu perto de Marvão. Dela só restam hoje muitas ruínas, mas os vestígios levaram os arqueólogos a concluir que estão perante uma vila de grandes dimensões. Os trabalhos de escavação estão no começo, e para ajudar no restauro das peças que são frequentemente descobertas foi inaugurado um laboratório arqueológico. Diz a lenda que a cidade foi engolida por um terramoto. A história não está comprovada, mas o certo é que as ruínas mostram uma cidade de grandes dimensões e que teria sido um importante centro de trocas comerciais. Da velha Ammaia hoje pouco resta acima do solo. Ficou uma vasta área classificada como património nacional, mas onde ainda há muito a escavar, até trazer de novo à superfície os vestígios de há mais de dois mil anos. Já foram identificados os sítios do Templo, do Fórum e do Anfiteatro, embora ainda não se tenham feito escavações. A descoberto estão as Termas e a entrada principal da cidade. A zona da Porta Sul é um dos ex-libris da Ammaia. Direccionada para Mérida, era por aqui que entrava a maioria dos viajantes enviados da capital da Lusitânia. Embora as informações ainda sejam muito vagas, pensa-se que esta cidade, que foi sede de município, terá uma área muito semelhante à vila romana de Évora.

MARVÃO - Uma Ilha no Tecto do Mundo
Depois de passarmos na Portagem e pela bela ponte romana aí existente tomaremos uma "looonga" subida, também esta em calçada medieval, que nos levará mesmo até lá acima, ao castelo de Marvão. São cerca de 3km muito inclinados e em piso irregular. Vamos precisar de todas as forças deste Mundo... ...e do outro!! Não subam com velocidade, controlem muito bem o esforço, e a respiração, ...sempre com a mesma cadência no pedalar! Lá diz o poeta José da Silva Máximo:

"Quem veio ao Mundo e não viu
Onde Marvão se ergueu
Se ao castelo não subiu
Nem sabe quanto perdeu!..."


Chegámos a Marvão (ufff!)!! Marvão é uma das mais bem conservadas vilas fortificadas portuguesas. Tomada e fortificada pelos Árabes, Marvão seria conquistada por D. Afonso Henriques. Posteriormente D. Dinis mandou reforçar as fortificações. Dominando o acesso à fronteira a ponto de permitir detectar movimentações do inimigo, a situação geográfica desta vila tornou-se de uma capital importância estratégica. Foi tomada pelos espanhóis e retomada pelos portugueses, por guerras sucessivas, ao longo de dois séculos (XVII e XVIII). Foi também ponto fortificado durante as Invasões Francesas. Também não foi poupada durante a Guerra Peninsular, entre portugueses e espanhóis, e durante a guerra civil entre liberais e miguelistas, tomando o partido dos primeiros. Aqui, em Marvão, podemos visitar o castelo e, dentro deste, uma construção curiosa: uma impressionante cisterna, abobadada por arcos de pedra onde, ao falarmos, as vozes se alternam para tonalidades irreais. A capacidade deste enorme depósito de água chega para abastecer a vila durante seis meses, característica valiosa em tempos de guerra. Com as suas casinhas pequenas e de arcos góticos, ladeadas de ruelas estreitas e tortuosas, a visita a Marvão torna-se uma viagem pelo tempo, de tal modo que se guardam aí o espaço e o espírito de uma vila fortificada e tão cobiçada, destinada à resistência de todas as invasões. Regressemos, agora, a Castelo de Vide. Vamos mais uma vez descer por outra calçada medieval, também esta infindável!!!. ...Tudo isto é um sonho, ...um espectáculo quase irreal! ...Caros amigos, mais palavras para quê!?... ...Um abraço a todos!...

José Neves
BTTour

         
Data do Passeio: Data sob confirmação
       
         
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