Dados Técnicos
Local: Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros
Local de Partida: Porto de Mós
Concentração e Chamada: 10H00
Partida: 10H30
Tipo de Percurso: Técnico
Acumulado das Subidas: 865m
Níveis de Andamento: Nível 2
Distância: 36km
Altitude Máxima: 565m
Dificuldade:
Duração: 5H30
 
     

COMO CHEGAR
De Lisboa: Apanhar a AE-1 para Norte. Depois das bombas da Galp de Aveiras saia em direcção de Rio Maior. Após as portagens seguir sempre em frente, apanhando o IC2, em direcção a Leiria, Alcobaça e Asseiceira. Continue a seguir sempre em frente e, depois de passar a zona de Asseiceira, o IC-2 passa novamente a Estr. Nac. nº 1. Atenção agora aos excessos de velocidade e à Tolerância Zero! Continue a seguir sempre em frente em direcção a Leiria. Depois de termos passado pelas indicações de Alcobaça vão-nos aparecer na estrada uns semáforos. Nestes semáforos vire para a direita, em direcção a Porto de Mós.
O local de encontro é num largo de terra batida que fica a escassos metros do lado direito (uns 30 ou 40m), antes de entrar na rotunda de Porto de Mós. Entre nessa ruazinha calcetada, e atravesse uma mini-ponte, e já está!
Distância: Cerca de 125km
Tempo de viagem: Cerca de 1H30, sem paragens.

INTRODUÇÃO
Este passeio desenrola-se no vastíssimo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). As características geológicas e geográficas únicas deste Parque Natural, não só pela extensão dos variadíssimos afloramentos calcários, mas também por serem os mais importantes do nosso país, levaram à criação, em 1979, desta Área Protegida.
Como é sabido, para se fazerem passeios organizados em qualquer Parque Natural é necessária uma licença, emitida pelo Instituto da Conservação da Natureza (I.C.N.) e pelo próprio Parque, pois importa proteger e conservar o estado natural das coisas, para que elas perdurem no Tempo. Pois nós vamos poder ter a oportunidade de conhecer alguns dos aspectos mais marcantes deste Parque.
Trata-se de um passeio de grau de dificuldade 4 (de 1 a 5), principalmente dada pela sua tecnicidade e irregularidade do terreno. Se tem duas bicicletas opte pela de suspensão total, e se tiver vários pneus, opte pelos mais largos. O seu corpo vai agradecer.

INFORMAÇÃO
O Parque Natural
Iniciamos o passeio na vila de Porto de Mós, nome atribuído por, outrora, ter sido um lugar muito utilizado para o abastecimento de veículos que transportavam as mós aí "fabricadas", com destino aos moinhos existentes na vasta zona saloia que circunda a cidade de Lisboa, e um pouco por todo o País. Como estamos numa zona basicamente de pedra, aqui abundam as pedreiras, os caminhos ladeados de pedra calcária, branca e imaculada.

Este Parque Natural compreende uma vasta área de praticamente 39.000ha, distribuída por sete concelhos: Alcobaça e Porto de Mós (distrito de Leiria); e Alcanena, Rio Maior, Santarém, Torres Novas e Ourém (distrito de Santarém). Deste Parque faz parte o Maciço Calcário Estremenho, composto por três pontos elevados essenciais: a oeste a Serra dos Candeeiros, onde vamos pedalar um pouquito, a zona centro com o Planalto de Sto. António, onde vai decorrer a maior parte do nosso passeio, e a sul o Planalto de S. Mamede e a Serra de Aire. A separar estes três pontos elevados encontram-se as respectivas três depressões originadas por grandes fracturas: a região da Mendiga, o Polje de Minde-Mira, e a depressão de Alvados, onde a iremos percorrer. Toda esta região do Parque esconde mais de 1500 grutas, que cruzam o interior do maciço. Apesar da grande ausência de água à superfície (leve bastante água no seu CamelBak), o seu subsolo é um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do nosso país, estendendo-se entre Rio Maior e Leiria.

Após deixarmos a vila de Porto de Mós, entregue ao seu encantador castelinho começamos a pedalar em direcção ao Vale da Fonte recheado de uma densa vegetação que nos levará até Serro Ventoso, que fica cá em cima! Após mais uma subidita eis que chegámos a uns moinhos abandonados, testemunhando um trabalho outrora muito desenvolvido no nosso País. A descida do local onde estão estes moinhos leva-nos a um local muito bonito, classificado como "Paisagem Rural", resultado do aproveitamento de uma bacia hidrográfica por parte dos locais para a sua lavoura. Estamos em Chão das Pias.

A Fórnea
Todo este Maciço Calcário, cuja formação se iniciou há cerca de 200 milhões de anos, é essencialmente constituído por rochas carbonatadas de origem marinha. No decorrer do período Jurássico, ocorreu uma importante "transgressão", onde o oceano em movimento invadiu os terrenos, dando origem aos espessos depósitos que hoje são a constituição deste grande Maciço Calcário. Assim se desenvolveu uma estrutura geológica única no nosso País, e uma das mais bem conservadas da Europa, ...a Fórnea!

Diz o povo que este nome atribui-se ao facto de, no Verão, este local ser muito quente, ...um autêntico "forno"!

Pois assim é! Aqui se forma um microclima, de características mediterrânicas, onde algumas figueiras atingem grandes dimensões, tal como grandes pilriteiros, loureiros e medronheiros. É também aí que se encontram dois exemplares preciosos de uma árvore já rara em Portugal: a "Zelha", espécie de folhagem verde-amarelado, caduca, característica da vegetação mediterrânica. Resumindo, a Fórnea é uma magnífica estrutura cónica (funil), em forma de anfiteatro, com cerca de 500m de diâmetro por 250m de altura. Lá em baixo está a ribeira da Fórnea, com um caudal de água considerável no Inverno, fruto do escorrer das águas pelas vertentes da Fórnea, mas que no Verão se encontra completamente seca.

Deixando esta curiosidade geológica voltamos agora na direcção do planalto de S. Bento, onde os caminhos ladeados de muros de pedra branca são mais que frequentes, conferindo a este local paisagens únicas, locais outrora trabalhados pela mão do Homem. Agora, estes muros de pedra solta delimitam as áreas de pastagem, com características marcadamente serranas.

O Regresso
Vamos agora descer grande parte daquilo que já subimos até aqui, e melhor do que isso só a "descida da cobra", uma interminável descida, mas algo perigosa, principalmente nas curvas apertadas, onde o piso é à base de gravilha solta. Aqui a adrenalina empurra-nos para a frente, mas todo o cuidado é pouco, pois as derrapagens da roda da frente nas curvas são uma constante, ...e aí vamos nós ao chão se não tivermos cuidado.

Esta descida levas-nos à chamada depressão de Alvados, zona de olivais, onde há 50 anos atrás se produzia cerca de 200 mil litros de azeite por ano.

Chegámos de novo à Fórnea, mas desta vez à sua base. É oportunidade de visitarmos mais uma curiosidade natural, uma pequenina gruta existente nas vertentes da Fórnea, a "Cova da Velha".

E assim vai terminando o nosso passeio, com mais uma subidita, e umas valentes descidas lá mais para a frente, que parecem não ter fim.

Um grande abraço a todos, e até uma próxima oportunidade.

José Neves
BTTour

         
Data do Passeio: Data sob confirmação
       
         
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