COMO CHEGAR
De Lisboa: Lisboa, Auto-Estrada do Norte A1. Depois das bombas da BP de Santarém cortar para a nova A-23 para Abrantes. Sair em Entroncamento Norte. Já no Entroncamento, na rotunda grande, cortar à esquerda para Piscinas. O local de encontro é no parque de estacionamento das Piscinas Municipais do Entroncamento.
Tempo de Viagem: cerca de 1H15 (sem paragens!).
INTRODUÇÃO
Falando um pouco sobre o Entroncamento, esta cidade (desde 16 de Agosto de 1991) com cerca de 14 000 habitantes deve o seu desenvolvimento ao caminho-de-ferro. Quando em 7 de Novembro de 1862 é inaugurado o troço da linha entre Santarém e Abrantes, já os pioneiros se tinham instalado no local, vindos de outras regiões do país e até do estrangeiro.
Mas o núcleo inicial da população remontava muito mais atrás, tendo origem nas populações rurais atraídas pelas ocupações agrícolas das quintas da Ponte da Pedra e da Cardiga.
Hoje, o Entroncamento atravessa um assinalável período de crescimento, não tanto devido ao comboio mas mais devido à sua localização e óptima rede de transportes, que lhe permitem albergar gente que trabalha em Lisboa!
INFORMAÇÃO
O caminho até o Castelo
O nosso passeio tem início no aprazível Parque do Bonito, o qual dispõe de uma albufeira artificial, uma zona florestal, um parque de merendas e um parque permanente de escutismo. Daqui vamos seguir em ritmo de aquecimento (que os nossos músculos ainda estão frios) por um bonito percurso numa zona densamente arborizada, com algumas descidas engraçadas, embora curtas (infelizmente o que é bom acaba depressa...). E, num ápice, eis-nos chegados à linha de caminho de ferro, ou não estivéssemos nós na "terra dos comboios". No final de um trilho paralelo à mesma linha, iremos atravessá-la com muito cuidado, pois trata-se de uma passagem de nível sem guarda, pelo que todo o cuidado é pouco: Pare, Escute e Olhe!
Depois de passarmos perto da vila da Atalaia e do nosso primeiro ponto de abastecimento de água, começamos uma subida longa e algo técnica. Entramos então numa zona de eucaliptal, que nos conduz por trilhos muito rápidos e bonitos, quase sempre planos ou a descer até chegarmos à povoação de Roda, onde teremos o segundo ponto de abastecimento de água.
Após uma curta descida super-radical (não custa nada, é só chegar o rabo para trás e controlar a bicla com os travões), entramos na área circundante do polígono de Tancos.
Deparamo-nos agora com as lamentáveis e degradadas ruínas de uma espécie de igreja, à primeira vista (ah, pobre património, que o vil metal não chega para tudo!). Trata-se, pois, de um antiquíssimo convento de freiras, o Convento do Loreto.
O Castelo de Almourol
E já se avista o famoso Castelo de Almourol (km 21), construído sobre o afloramento granítico de uma pequena ilha no Tejo, com 310m de comprido por 75m na maior largura, e 18m de altitude.
Atribui-se aos romanos a edificação do castelo, embora se pense que no mesmo local tenha existido outrora um castro lusitano. A sua localização tornava-o de excepcional interesse militar, tendo sido sucessivamente utilizado por alanos, visigodos e muçulmanos. D. Afonso Henriques tomou-o aos mouros, confiando-o aos Templários que o reconstruíram em 1171, sob a direcção do monge-cavaleiro Gualdim Pais.
Ainda hoje se questiona a sua finalidade: seria apenas uma torre de vigia? Seria algum posto de controlo das embarcações que navegavam no Tejo, ou teria outra qualquer função?… O que é certo é que foi um elemento estratégico de grande importância nos tempos conturbados da Reconquista Cristã!
Entretanto, e curiosamente, o Convento do Loreto, que já existia antes desta data e que também tinha sido entregue à Ordem dos Templários, tal como o castelo, ficou esquecido e por reconstruir. Daí o estado degradado em que ele se encontra. Diz-se que existe um túnel de passagem secreta entre o Castelo de Almourol e o Convento do Loreto e que servia de passagem de recurso para as ocasiões em que o castelo se encontrava cercado pelo inimigo (seria só para isto?!!).
Hoje, o castelo está entregue à Escola Prática de Engenharia, sendo ainda considerado Monumento Nacional desde 1910. A origem do nome Almourol tem suscitado muitas controvérsias mas, a mais válida é a sua derivação do topónimo "moura" ou "mouro", significando "pedra alta". A originalidade do local onde foi edificado torna-o alvo das mais variadas lendas, envolvendo-o numa auréola misteriosa. A singular localização do castelo serviu de inspiração a poetas e romancistas. Várias são as lendas que correm em romances e livros de cavalaria!
Uma vez que aqui estamos, iremos ter oportunidade de atravessar o rio de barco, entrar e piquenicar no jardim deste castelinho (o preço do barco já está incluído na inscrição) e recuperar as forças, pois se descemos até ao rio Tejo, agora só teremos é mesmo que subir para regressar!!...
O Regresso
Saídos do Castelo de Almourol iremos subir e fazer um trilho com uma magnífica vista sobre o Tejo, a vila de Arrepiados e a velha vila de Tancos, outrora um importante porto fluvial. Daí, seguem-se mais alguns troços de bom piso, nomeadamente uma longa descida super-rápida e com óptimo piso. No final temos um cotovelo à direita para seguirmos por um troço muito divertido e bastante técnico de "sobe e desce" constante, paralelo à linha férrea e com uma espectacular vista sobre a lezíria. Nas descidas, não se assuste, mais uma vez a técnica é simples: rabo para trás, dedos nos travões e… o credo na boca! Ai que lá vou eu!!!
Foi o desenvolvimento no século XVII da povoação da Barquinha que levou ao declínio de Tancos, substituída nos seus negócios mais importantes - madeiras, sal e azeite - pela sua vizinha, que em 1836 é elevada a sede de concelho, integrando Tancos. Mas, o mesmo rio que tornou próspera a Barquinha, foi também a causa do seu infortúnio. O assoreamento prejudicou a navegabilidade, tendo sofrido o golpe final com a chegada do comboio ao Entroncamento, levando consigo as mercadorias que o Tejo já não conseguia transportar.
E estamos a aproximarmo-nos do final do nosso passeio. Restam-nos mais alguns quilómetros de subidas e descidas até passarmos pela igreja matriz da Atalaia, edifício quinhentista joanino, com o seu portal delicadamente trabalhado como exigia a época.
Eis que chegamos de novo ao Parque do Bonito e à piscina, ...e à banhoca que nos espera!!! (facultativo - 1€)
José Neves
BTTour